prompto

Papel

(Básico)

Qual é a função, a posição, da Inteligência Artificial (IA) na atividade que está sendo requisitada.

Historicamente, a primeira coisa que a maioria dos guias de engenharia de prompts sugere é atribuir um papel à IA. A premissa é simples: ao definir uma persona, fornece-se à IA um contexto comportamental.

Faça um teste.

Peça à sua IA de eleição:

Pode me explicar o que é um Ovo pochê?

Depois, em um novo chat de preferência, tente uma pequena modificação indicando para a IA qual é o seu papel ao atender essa refinição, algo como o seguinte:

Como um chefe de cozinha pode me explicar o que é um Ovo pochê?

ou

Como um professor de culinária pode me explicar o que é um Ovo pochê?

Sentiu a diferença? O tom de voz muda, o vocabulário adapta-se e a resposta deixa de ser genérica para se focar numa audiência e num estilo específicos. Tratar a IA com um papel definido melhora a sinergia e direciona a resposta. No entanto, a ciência recente mostra-nos que o uso de “Papeis” tem limites claros e nem sempre é a solução mágica para obter melhores resultados.

Sim, provavelmente a resposta será um pouco diferente para Papeis diferentes, pois a busca e filtro de informações tende a ser diferente também.

Embora o uso de papéis seja um dos itens “básicos” para um bom prompt, um estudo conduzido por investigadores da Universidade de Michigan (EUA) e publicado em 2024 trouxe uma nova e fundamental perspetiva sobre esta prática.

Os investigadores testaram o impacto de adicionar “Papeis” aos prompts em 9 modelos de IA diferentes, avaliando 2.410 perguntas factuais (tarefas objetivas e diretas, como “qual é a capital de X?” ou “quem descobriu Y?”). Cada prompt foi testado com e sem “Papel” (ex.: “Aja como um historiador especialista…”) e comparado com um cenário de controlo.

O achado principal: Adicionar “Papeis” não aumentou a precisão nas respostas objetivas de forma consistente. Em muitos casos, o desempenho foi aleatório ou até ligeiramente pior do que o de um prompt direto e simples.

Com base nesta descoberta, é fundamental separar o uso intencional de IA em duas categorias:

1. Tarefas Objetivas e Factuais (Não use “Papeis”) Para perguntas diretas do tipo “qual é…?”, “quando aconteceu…?” ou cálculos e extrações de dados exatos, prompts diretos e bem estruturados (sem papel) saíram-se tão bem ou melhor. O estudo argumenta que o modelo já possui o conhecimento factual na sua base de dados; o “Papel” não adiciona nenhuma “verdade” nova, apenas enviesa o estilo ou adiciona um nível de confiança artificial à resposta que pode, inclusive, gerar alucinações.

2. Tarefas Criativas e Interpretativas (Use Papel) Ainda não vi de que os “Papeis” não ajudem em tarefas criativas. Pelo contrário, para redação com um tom específico, criação de roteiros, simulação de cliente (role-play), ou adequação a um público-alvo, definir um Papel é extremamente poderoso. Nestes contextos, o “Papel” ajuda a padronizar o estilo, o tom e a voz, agindo muito mais como um mecanismo de controlo estilístico do que de precisão factual.

Aqui eu deixo um alerta, a IA nunca, repito “nunca”, deve ser usada para susbstituir um humano, um erro comum que tenho visto é o uso de “Clientes Artificiais”, Agentes ou Assistentes de IA treinados com dados demograficos e psicograficos de clientes reais, para levantamento de requisitos, por exemplo, a IA nunca vai conseguir simular a “expectativa” de um cliente real, pois essa envolve sentimentos e emoções que ela não consegue replicar.

##Se não melhora a precisão, por que os papéis ainda são tão usadas?

O “Papel” não faz diferença (e pode até atrapalhar) em perguntas diretas de conhecimento factual. No entanto, é uma ferramenta poderosa para enriquecer contextos, personalizar respostas de agentes e direcionar produções criativas. Lembre-se sempre de que o humano é você, a responsabilidade de verificar os factos (com ou sem “Papel”) é exclusivamente sua.

Reintero que este componente, com diferentes nomes, está presente na maioria das “receitas” de proMpt que eu estudei, a Persona o PACEF, o Role no PREP e Papel mesmo no PACIF.

Usar a definição de um Papel para a IA em seus proMpts deve torná-los ainda mais específicos de uma forma muito natural e simples, além de faz com que você trate a IA de forma similar a que trataria um parceiro humano melhorando a sinergia.

Relações

Componente Método Descrição
PapelPACIF Qual é o papel da IA na requisição que está sendo feita?
PersonaPACEF Qual é o papel da IA na requisição que está sendo feita?
RolePREP Qual é o papel da IA na requisição que está sendo feita?
RoleRTFQual é o papel da IA na "Tarefa" que está sendo feita?
RoleRISENQual a base de atuação e limites de conhecimento dessa IA?

Referências

Agilers. Almoce e Aprenda: IA na Gestão e Liderança. Disponível em: https://miro.com/app/board/uXjVK8HHzF0=/?moveToWidget=3458764593995821713&cot=14. Acesso em: 15 ago. 2024.

BRADSHAW, Paul. 7 técnicas de design de prompts para IA generativa que todo jornalista deveria conhecer. Online Journalism Blog, 2025. Traduzido do inglês original.

DUARTE, Roberto Dias. Estudo 2024: Personas em Prompts Não Melhoram Resultados Objetivos - RDD10+. 14 jul. 2025. Disponível em: https://www.robertodiasduarte.com.br/estudo-2024-personas-em-prompts-nao-melhoram-resultados-objetivos/. Acesso em: 30 abr. 2026.

ZHENG, Mingqian et al. When “A Helpful Assistant” Is Not Really Helpful: Personas in System Prompts Do Not Improve Performances of Large Language Models. arXiv preprint arXiv:2311.10054v3, 2024. Disponível em: https://arxiv.org/abs/2311.10054. Acesso em: 30 abr. 2026.


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